Primeiro volume da obra completa de António Osório (n. 1933), "Barca do Mundo I" reúne "A Raiz Afectuosa" (1972) e "A Ignorância da Morte" (1978). A sua obra poética só muito tarde veio a público, conquistando, no entanto, um lugar privilegiado nas letras portuguesas. A sua poesia é depurada, ali convivem passado e presente, memória e quotidiano , numa teia subtil de relações, Diz Eugénio Lisboa no prefácio de "A Ignorância da Morte": « Personagem retirado da feira literária, que não preza particularmente, o autor deste singular livro que nos oferece agora "A Ignorância da Morte", é, no seu modo mansamente inovador, apetecidamente lento e meticuloso, no seu progredir musicalmente inventariante, no seu fascinante realismo mítico, aladamente terrestre e distanciadamente afectuoso, uma das vozes mais fortes, mais isoladas, mais inquietantemente pessoais e mais complicadamente directas que nos tem sido dado conhecer, de há alguns anos a esta parte. «(...) Há em António Osório, no homem e no poeta, uma qualidade eminente de "sage": uma obstinada paciência de quem sabe que aguardar é o segredo de inesperados triunfos. Faz-se publicar tarde, como quem se foi depurando - já João Rui de Sousa o notou. E aquilo que publica é um longo e minucioso trajecto inventariante, um percurso amorosamente visual (...), uma teimosa promessa de nada esquecer ("A buganvília, não esqueço, /é preciso cortá-la"), uma terapêutica e fecunda revisita ao tempo perdido, à infância, aos mitos (Tróia, Ulisses, Heitor, Homero), à Mãe, ao Pai, aos amigos tutelares, aos velhos servidores, à "dor", ao "prazer de amar", "essa bondade enredante / como uma toalha, num mar, de sargaços".» Está traduzido em francês, italiano e castelhano. Vários ensaístas se debruçaram sobre a sua obra (no início deste volume apresenta-se uma útil e completa bibliografia de e sobre o autor). Destacamos aqui dois pequenos apontamentos de Jacinto do Prado Coelho e Joaquim Manuel Magalhães. «Uma voz diferente, íntima, discreta, alada, que nos ensina, sem ensinar, os sentimentos mais puros, o mistério das coisas, os dramas escondidos e humildes, a infância recuperada, os laços profundos que nos ligam aos pais, à família, à melancolia de estar e ir no tempo - tudo numa linguagem límpida, poupada, ao mesmo tempo concreta e transfigurante.» Jacinto do Prado Coelho « Em António Osório, "a raiz afectuosa" é a metáfora dessa comedida vigília sobre a paixão das coisas: pelo mais fundo, persistente e calculado caminho atingir o interior dos sentimentos, dizer a razão das mágoas e das euforias. Quando a poesia é assim entendida, o mundo parece nascer a cada leitura de um poema, as coisas parecem irromper de um território ainda não visto.» Joaquim Manuel Magalhães
Sinopse
Primeiro volume da obra completa de António Osório (n. 1933), "Barca do Mundo I" reúne "A Raiz Afectuosa" (1972) e "A Ignorância da Morte" (1978). A sua obra poética só muito tarde veio a público, conquistando, no entanto, um lugar privilegiado nas letras portuguesas. A sua poesia é depurada, ali convivem passado e presente, memória e quotidiano , numa teia subtil de relações, Diz Eugénio Lisboa no prefácio de "A Ignorância da Morte": « Personagem retirado da feira literária, que não preza particularmente, o autor deste singular livro que nos oferece agora "A Ignorância da Morte", é, no seu modo mansamente inovador, apetecidamente lento e meticuloso, no seu progredir musicalmente inventariante, no seu fascinante realismo mítico, aladamente terrestre e distanciadamente afectuoso, uma das vozes mais fortes, mais isoladas, mais inquietantemente pessoais e mais complicadamente directas que nos tem sido dado conhecer, de há alguns anos a esta parte. «(...) Há em António Osório, no homem e no poeta, uma qualidade eminente de "sage": uma obstinada paciência de quem sabe que aguardar é o segredo de inesperados triunfos. Faz-se publicar tarde, como quem se foi depurando - já João Rui de Sousa o notou. E aquilo que publica é um longo e minucioso trajecto inventariante, um percurso amorosamente visual (...), uma teimosa promessa de nada esquecer ("A buganvília, não esqueço, /é preciso cortá-la"), uma terapêutica e fecunda revisita ao tempo perdido, à infância, aos mitos (Tróia, Ulisses, Heitor, Homero), à Mãe, ao Pai, aos amigos tutelares, aos velhos servidores, à "dor", ao "prazer de amar", "essa bondade enredante / como uma toalha, num mar, de sargaços".» Está traduzido em francês, italiano e castelhano. Vários ensaístas se debruçaram sobre a sua obra (no início deste volume apresenta-se uma útil e completa bibliografia de e sobre o autor). Destacamos aqui dois pequenos apontamentos de Jacinto do Prado Coelho e Joaquim Manuel Magalhães. «Uma voz diferente, íntima, discreta, alada, que nos ensina, sem ensinar, os sentimentos mais puros, o mistério das coisas, os dramas escondidos e humildes, a infância recuperada, os laços profundos que nos ligam aos pais, à família, à melancolia de estar e ir no tempo - tudo numa linguagem límpida, poupada, ao mesmo tempo concreta e transfigurante.» Jacinto do Prado Coelho « Em António Osório, "a raiz afectuosa" é a metáfora dessa comedida vigília sobre a paixão das coisas: pelo mais fundo, persistente e calculado caminho atingir o interior dos sentimentos, dizer a razão das mágoas e das euforias. Quando a poesia é assim entendida, o mundo parece nascer a cada leitura de um poema, as coisas parecem irromper de um território ainda não visto.» Joaquim Manuel Magalhães
Ficha Técnica
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