«A minha vida.» Quando penso estas palavras, vejo diante de mim um rasto
de luz. Observando melhor, a luz tem a forma de um cometa, com uma
cabeça e uma cauda. A extremidade mais luminosa, a cabeça, é a infância e
a idade do crescimento. O núcleo, a parte mais densa, é a primeira
infância, quando são determinados os traços principais da nossa vida.
Tento recordar-me, tento chegar lá. Mas é difícil movimentarmo-nos
nessas regiões muito condensadas, é perigoso, tenho a sensação de que
chegaria muito próximo da morte. Mais adiante, o cometa dilui-se: é a
parte mais comprida, a cauda. Torna-se cada vez menos denso, mas também
mais largo. Encontro-me agora num ponto muito avançado da cauda do
cometa; tenho sessenta anos no momento em que escrevo estas linhas.
PRÉMIO NOBEL DE LITERATURA 2011
Traduções de Ana Diniz e Alexandre Pastor Posfácio de Pedro Mexia
Sinopse
PRÉMIO NOBEL DE LITERATURA 2011
Traduções de Ana Diniz e Alexandre Pastor
Posfácio de Pedro Mexia
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