Em As Lágrimas de Eros, que ficou como seu último texto publicado
em vida (1961), Bataille reafirma em mais extenso o que já estava
lateralmente enunciado por textos anteriores. Uma frase de «La
Signification de l’Érotisme» como que se fez pré-anúncio do programa dos
seus capítulos: «Desde o berço até à morte, a sexualidade é base de uma
agitação que o ingénuo pensamento comum, imbuído de idealismo, conhece
mal»; em «Genèse» deixou registado o que poderia ser seu sumário: «O
erotismo é um abismo. Querer iluminar-lhe a profundidade exige ao mesmo
tempo grande vontade e uma lucidez tranquila, a consciência de tudo o
que uma intenção tão contrária ao senso geral põe em causa; ele é, de
facto, o mais horrível e também o mais sagrado»; em «La Souveraineté»
referiu-se ao carácter, indissociável do comportamento erótico da
humanidade, que é também central nesta sua exposição: «As proibições
mantêm o mundo organizado pelo trabalho - e, possivelmente, até onde
podem fazê-lo - ao abrigo da perturbação que a morte e a sexualidade
imparavelmente lhe introduzem: esta animalidade em nós perdurável e,
podemos acrescentar, constantemente introduzida pela vida e pela
natureza que são como uma lama de onde saímos». Recorrência e
confirmação, que sempre lhe foram caras, de «já tudo ter estado em
tudo», sucessivas lâminas numa obra que se completa, rediz e a todo o
momento reconstrói. [ Da Introdução de Aníbal Fernandes ]
Sinopse
Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)