É utópico projectar uma relação humana sem momentos altos e baixos. O desafio da comunicação estende-se no tempo. Não fica garantido pelo momento inicial: nem pelo «sim» dos cônjuges, no dia do casamento, nem pela complacência com que se assina o contrato laboral. A comunicação interpessoal é entre pessoas vivas e, como tal, obrigam à sua permanente renovação e actualização. Assim como não são nem rectilíneos nem contínuos os avanços de quem, saltitando de pedra em pedra, cruza um rio de uma à outra margem, assim também o nosso trato vai crescendo através das oportunidades que o dia-a-dia oferece para se progredir na relação com o outro. Mas essas oportunidades (tal como as pedras) não aparecem seguindo qualquer esquema racional. Há ocasiões (tal como as pedras) melhores e piores, mais ou menos seguras, mais próximas ou afastadas da meta, isoladas ou rodeadas de muitas outras. Há tantas e tão diversas oportunidades que se torna difícil acertar na opção. E, seja qual for a opção, podemos apostar erradamente, assim como por azar podemos escorregar na pedra escolhida. Aprender a viver juntos consiste em irmos ganhando a sensibilidade no trato com os outros para adoptarmos com naturalidade o estilo e o conteúdo comunicativo (mais ou menos formal, mais ou menos objectivo) conforme o tipo de relação que seja possível praticar a cada momento. E porque a comunicação objectiva e as relações formais são insuficientes para uma verdadeira educação (tanto para a formação teórica, técnica, artística ou comportamental), a relação pedagógica não foge a este desafio da comunicação interpessoal.
Sinopse
É utópico projectar uma relação humana sem momentos altos e baixos. O desafio da comunicação estende-se no tempo. Não fica garantido pelo momento inicial: nem pelo «sim» dos cônjuges, no dia do casamento, nem pela complacência com que se assina o contrato laboral. A comunicação interpessoal é entre pessoas vivas e, como tal, obrigam à sua permanente renovação e actualização. Assim como não são nem rectilíneos nem contínuos os avanços de quem, saltitando de pedra em pedra, cruza um rio de uma à outra margem, assim também o nosso trato vai crescendo através das oportunidades que o dia-a-dia oferece para se progredir na relação com o outro. Mas essas oportunidades (tal como as pedras) não aparecem seguindo qualquer esquema racional. Há ocasiões (tal como as pedras) melhores e piores, mais ou menos seguras, mais próximas ou afastadas da meta, isoladas ou rodeadas de muitas outras. Há tantas e tão diversas oportunidades que se torna difícil acertar na opção. E, seja qual for a opção, podemos apostar erradamente, assim como por azar podemos escorregar na pedra escolhida. Aprender a viver juntos consiste em irmos ganhando a sensibilidade no trato com os outros para adoptarmos com naturalidade o estilo e o conteúdo comunicativo (mais ou menos formal, mais ou menos objectivo) conforme o tipo de relação que seja possível praticar a cada momento. E porque a comunicação objectiva e as relações formais são insuficientes para uma verdadeira educação (tanto para a formação teórica, técnica, artística ou comportamental), a relação pedagógica não foge a este desafio da comunicação interpessoal.Ficha Técnica
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