Inspirado pelas múltiplas faces e facetas de Fernando Pessoa, o cartoonista uruguaio Hermenegildo Sábat construiu uma série de desenhos do poeta, que aqui apresentamos. Ilustrado com passagens do Livro do Desassossego, Anónimo Transparente—Uma interpretação gráfica de Fernando Pessoa é apresentado pelo escritor português premiado com o Nobel da Literatura em 1998, José Saramago.«Que retrato de si mesmo pintaria Fernando Pessoa, se, em vez de poeta, tivesse sido pintor, e de retratos? Colocado de frente para o espelho, ou de meio perfil, obliquando o olhar a três quartos, como quem, de simesmo escondido, se espreita, que rosto escolheria e por quanto tempo?Oseu, diferente segundo as idades, assemelhado a cada uma das fotografias que dele conhecemos, ou também o das imagens não fixadas, sucessivas entre o nascimento e a morte, todas as tardes, noites e manhãs, começando no Largo de S. Carlos e acabando no Hospital de S. Luís? O de um Álvaro de Campos, engenheiro naval formado em Glasgow? O de Alberto Caeiro, sem profissão nem educação, morto de tuberculose na flor da idade?Ode Ricardo Reis,médico expatriado de quem se perdeu o rasto, apesar de algumas notícias recentes, obviamente apócrifas? O de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na baixa lisboeta? Ou um outro qualquer, o Guedes, o Mora, aqueles tantas vezes invocados, inúmeros, certos, prováveis e possíveis? Representar-se-ia de chapéu na cabeça?De perna traçada?De cigarro apertado entre os dedos? De óculos? De gabardina vestida ou sobre os ombros? [...] Ou, ao contrário destas eloquências, ficaria sentado diante do cavalete, da tela branca, incapaz de levantar umbraço para atacá-la ou dela se defender, à espera de um outro pintor que ali fosse tentar o impossível retrato? De quem? De qual?»José Saramago (excerto)
Sinopse
Inspirado pelas múltiplas faces e facetas de Fernando Pessoa, o cartoonista uruguaio Hermenegildo Sábat construiu uma série de desenhos do poeta, que aqui apresentamos. Ilustrado com passagens do Livro do Desassossego, Anónimo Transparente—Uma interpretação gráfica de Fernando Pessoa é apresentado pelo escritor português premiado com o Nobel da Literatura em 1998, José Saramago.«Que retrato de si mesmo pintaria Fernando Pessoa, se, em vez de poeta, tivesse sido pintor, e de retratos? Colocado de frente para o espelho, ou de meio perfil, obliquando o olhar a três quartos, como quem, de simesmo escondido, se espreita, que rosto escolheria e por quanto tempo?Oseu, diferente segundo as idades, assemelhado a cada uma das fotografias que dele conhecemos, ou também o das imagens não fixadas, sucessivas entre o nascimento e a morte, todas as tardes, noites e manhãs, começando no Largo de S. Carlos e acabando no Hospital de S. Luís? O de um Álvaro de Campos, engenheiro naval formado em Glasgow? O de Alberto Caeiro, sem profissão nem educação, morto de tuberculose na flor da idade?Ode Ricardo Reis,médico expatriado de quem se perdeu o rasto, apesar de algumas notícias recentes, obviamente apócrifas? O de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na baixa lisboeta? Ou um outro qualquer, o Guedes, o Mora, aqueles tantas vezes invocados, inúmeros, certos, prováveis e possíveis? Representar-se-ia de chapéu na cabeça?De perna traçada?De cigarro apertado entre os dedos? De óculos? De gabardina vestida ou sobre os ombros? [...] Ou, ao contrário destas eloquências, ficaria sentado diante do cavalete, da tela branca, incapaz de levantar umbraço para atacá-la ou dela se defender, à espera de um outro pintor que ali fosse tentar o impossível retrato? De quem? De qual?»José Saramago (excerto)Ficha Técnica
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