A Última Porta é o título escolhido para esta antologia poética deManuel de Freitas, comselecção e posfácio a cargo de José Miguel Silva, que nos diz, sobre o autor e a sua obra: «Nãoé uma poesia, esta, que se alimente de literatura, uma poesia nascida da circunstância de outroshomens terem escrito, não é uma poesia apontada ao favor dos altos funcionários culturais ou concebida para fornecer grão à debulhadora universitária, não é uma poesia que adule o remansa do mé-mé do rebanho letrado, que procure o aplauso dos amantes de engenhocas literárias. É uma poesia incómoda, desagradável, feita de tudo o que a nossa tão humana cobardia tempor hábito recusar, uma poesia em que um homem se revela, com impúdica audácia, a outroshomens, “muy tarde ya en la noche”, como diria Biedma, uma poesia criada a partir de escóriassem prestígio, de resíduos turvos, pobres e sem graça, de esmagamentos que não nos servem eque por isso tendemos a sufocar.Mas a melhor literatura é assim: não serve senão para nos devastar,como a vida. Que Manuel de Freitas nos faça descer à terra, ou mais abaixo ainda, em cada linha que escreve, só pode ser motivo de gratidão. Espero que estemeu excesso de palavrastenha pelo menos conseguido transmitir esse sentimento.» José Miguel Silva, no posfácio deste livro.
Sinopse
A Última Porta é o título escolhido para esta antologia poética deManuel de Freitas, comselecção e posfácio a cargo de José Miguel Silva, que nos diz, sobre o autor e a sua obra: «Nãoé uma poesia, esta, que se alimente de literatura, uma poesia nascida da circunstância de outroshomens terem escrito, não é uma poesia apontada ao favor dos altos funcionários culturais ou concebida para fornecer grão à debulhadora universitária, não é uma poesia que adule o remansa do mé-mé do rebanho letrado, que procure o aplauso dos amantes de engenhocas literárias. É uma poesia incómoda, desagradável, feita de tudo o que a nossa tão humana cobardia tempor hábito recusar, uma poesia em que um homem se revela, com impúdica audácia, a outroshomens, “muy tarde ya en la noche”, como diria Biedma, uma poesia criada a partir de escóriassem prestígio, de resíduos turvos, pobres e sem graça, de esmagamentos que não nos servem eque por isso tendemos a sufocar.Mas a melhor literatura é assim: não serve senão para nos devastar,como a vida. Que Manuel de Freitas nos faça descer à terra, ou mais abaixo ainda, em cada linha que escreve, só pode ser motivo de gratidão. Espero que estemeu excesso de palavrastenha pelo menos conseguido transmitir esse sentimento.» José Miguel Silva, no posfácio deste livro.
Ficha Técnica
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