N’A Correspondência de Fradique Mendes, publicada em volume em 1900, a morte e os funerais do homem extraordinário” que foi Fradique não excedem página e meia de texto impresso. Mesmo assim, neste exíguo espaço tipográfico de apenas cinco parágrafos, cria a voz do narrador, mediante estratégias retóricas específicas (inclusive o contraponto irônico e a notação erudita da reminiscência clássica), uma autêntica obra-prima de literatura necrológica. Obra-prima tanto mais significativa, acrescente-se, quanto o retrato final que ela nos deixa do extinto, à luz dos seus derradeiros anos em Paris, remete sob o signo da morte — presença ubíqua na Correspondência — àqueles atos e fatos que deram forma e sentido à incomparável história da sua vida.Comentar, como se comenta um quadro, as manifestações do funerário na biografia vitalista do nosso grão-personagem — eis a intenção principal do ensaio a seguir. Escrito no clima celebratório do recente primeiro centenário da morte de Eça de Queiroz, foi ele anteriormente publicado, em sua primeira versão mais curta, no n.º 31 (Maio-Junho 2002) da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras, graças ao interêsse de Wilson Martins e João de Scantimburgo. A esses dois admiradores do dandy queiroziano registro aqui e agora o meu cativo agradecimento. Não menos penhorado me sinto para com o poeta, crítico e tradutor José Manuel de Vasconcelos, que se empenhou na divulgação desta (agora ligeiramente aumentada) versão do trabalho pela prestigiosa editora Assírio & Alvim.Joaquim-Francisco Coelho — Harvard University, Março 2005
Sinopse
N’A Correspondência de Fradique Mendes, publicada em volume em 1900, a morte e os funerais do homem extraordinário” que foi Fradique não excedem página e meia de texto impresso. Mesmo assim, neste exíguo espaço tipográfico de apenas cinco parágrafos, cria a voz do narrador, mediante estratégias retóricas específicas (inclusive o contraponto irônico e a notação erudita da reminiscência clássica), uma autêntica obra-prima de literatura necrológica. Obra-prima tanto mais significativa, acrescente-se, quanto o retrato final que ela nos deixa do extinto, à luz dos seus derradeiros anos em Paris, remete sob o signo da morte — presença ubíqua na Correspondência — àqueles atos e fatos que deram forma e sentido à incomparável história da sua vida.Comentar, como se comenta um quadro, as manifestações do funerário na biografia vitalista do nosso grão-personagem — eis a intenção principal do ensaio a seguir. Escrito no clima celebratório do recente primeiro centenário da morte de Eça de Queiroz, foi ele anteriormente publicado, em sua primeira versão mais curta, no n.º 31 (Maio-Junho 2002) da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras, graças ao interêsse de Wilson Martins e João de Scantimburgo. A esses dois admiradores do dandy queiroziano registro aqui e agora o meu cativo agradecimento. Não menos penhorado me sinto para com o poeta, crítico e tradutor José Manuel de Vasconcelos, que se empenhou na divulgação desta (agora ligeiramente aumentada) versão do trabalho pela prestigiosa editora Assírio & Alvim.Joaquim-Francisco Coelho — Harvard University, Março 2005Ficha Técnica
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