Nathaniel Hawthorne (1804-1864), descendente de um dos juízes responsáveis pela condenação à morte das bruxas de Salem”, em 1862, preocupava-se muito com as questões relativas à moralidade e ao preconceito. Utilizou a sua pena como um bisturi para explorar os deleites e tormentos interiores das personagens que criou. Não se interessou muito por questões puramente éticas (aliás os críticos sempre discutiram a posição moral do autor perante a infidelidade de Hester Prynne, portadora da letra encarnada) — as suas origens e sobretudo os seus efeitos na alma humana.De tudo isto pouco ou nada poderia seduzir Pessoa, indiferente ao problema do bem e do mal em termos individuais, por achar que um ser humano — seja bom ou mau — é o resultado de forças exteriores que não controla. Há, porém, um ponto em comum com Hawthorne, cuja análise psicológica, com culpa ou sem culpa, acaba por ser auto-reflexiva. Assim, tanto num escritor como noutro, a tendência para analisar, incorporada em personagens mais ou menos autobiográficas, torna-os objecto da sua própria análise.
Sinopse
Nathaniel Hawthorne (1804-1864), descendente de um dos juízes responsáveis pela condenação à morte das bruxas de Salem”, em 1862, preocupava-se muito com as questões relativas à moralidade e ao preconceito. Utilizou a sua pena como um bisturi para explorar os deleites e tormentos interiores das personagens que criou. Não se interessou muito por questões puramente éticas (aliás os críticos sempre discutiram a posição moral do autor perante a infidelidade de Hester Prynne, portadora da letra encarnada) — as suas origens e sobretudo os seus efeitos na alma humana.De tudo isto pouco ou nada poderia seduzir Pessoa, indiferente ao problema do bem e do mal em termos individuais, por achar que um ser humano — seja bom ou mau — é o resultado de forças exteriores que não controla. Há, porém, um ponto em comum com Hawthorne, cuja análise psicológica, com culpa ou sem culpa, acaba por ser auto-reflexiva. Assim, tanto num escritor como noutro, a tendência para analisar, incorporada em personagens mais ou menos autobiográficas, torna-os objecto da sua própria análise.Ficha Técnica
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