O livro é precioso porque é verdadeiro; é excelente, porque é bem escrito; é útil, porque encerra uma lição. Quem escreveu este livro?
Não
o dizem as apreciações dos periódicos, nem os catálogos das livrarias. O
livro é lido com espanto e talvez com lágrimas; ao passo que o autor,
que tão cuidadosamente se ocultou, deve ter tido misteriosas e
fortíssimas razões para esquivar-se à glória de haver escrito um livro
tão precioso na forma quanto virtualmente útil. Transpira a verdade do
contexto do romance, posto que a espaços a simpleza natural das coisas é
estofada em pompas demasiadas da linguagem.
Isso, porém, não
desdoura, antes redobra o quilate da obra para quem se deixa de bom
grado cativar e levar nas asas da dolorosa poesia que voeja por alto. O
que os bons espíritos hão-de ver nesta pungente narrativa é a substância
de tal e tamanho flagício praticado entre 1841 a 1868, neste tempo, em
nossos dias! A crítica ilustrada estremará da religião divina, que
ensinou Jesus, a protérvia dos sacrílegos que se abonam com ela, e lhe
vão apagando as luzes para que as trevas da Idade Média se condensem e
envolvam as instituições não carimbadas pela chancela pontifical. […]
O
tradutor abstém-se de indicar as passagens realçadas de maiores
belezas, porque lá está o claro entendimento de quem lê para as
distinguir; e seria também desacordo antecipá-las, prejudicando o tal
qual prazer do imprevisto. (da «Advertência do Tradutor»)
Sinopse
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