[…] O objectivo da presente dissertação é abordar o episódio do terceiro Evangelho (Lc 7,36-50) através de um exercício de análise narrativa, averiguando o modo como o narrador lucano faz emergir o personagem Jesus. A isso chamamos ',construção',. Não se pretende discutir a prioridade que o Jesus histórico tem sobre o raconto que o toma por protagonista. Se, como recorda Genette a propósito da ficção, a situação narrativa supõe uma instância que precede o actual estado de escrita, quanto mais não se dirá de um Evangelho (Lc 1,1) que intende relatar ',factos que se cumpriram', […] A inquestionável anterioridade de Jesus é fundadora do próprio raconto. A nossa opção é a de sondar a forma como Jesus é revelado no texto evangélico pelo recurso a essa poderosa ',arte refinada',, que Lucas domina de forma até ',instintiva',, a arte de narrar. Veremos que a arte literária não só nada dilui do impacto teológico da sua figura, como nos faz perceber que a teologia do raconto não se pode dissociar do modo como ele é construído: as categorias do raconto e seus procedimentos estão implicados no conteúdo veiculado. E se, como escreve Aletti, ',talvez a obra lucana seja o primeiro ensaio de cristologia verdadeiramente narrativa',, teremos a oportunidade, por aí, de aprofundar caminhos de um renovado encontro com Jesus. […]
Sinopse
[…] O objectivo da presente dissertação é abordar o episódio do terceiro Evangelho (Lc 7,36-50) através de um exercício de análise narrativa, averiguando o modo como o narrador lucano faz emergir o personagem Jesus. A isso chamamos ',construção',. Não se pretende discutir a prioridade que o Jesus histórico tem sobre o raconto que o toma por protagonista. Se, como recorda Genette a propósito da ficção, a situação narrativa supõe uma instância que precede o actual estado de escrita, quanto mais não se dirá de um Evangelho (Lc 1,1) que intende relatar ',factos que se cumpriram', […] A inquestionável anterioridade de Jesus é fundadora do próprio raconto. A nossa opção é a de sondar a forma como Jesus é revelado no texto evangélico pelo recurso a essa poderosa ',arte refinada',, que Lucas domina de forma até ',instintiva',, a arte de narrar. Veremos que a arte literária não só nada dilui do impacto teológico da sua figura, como nos faz perceber que a teologia do raconto não se pode dissociar do modo como ele é construído: as categorias do raconto e seus procedimentos estão implicados no conteúdo veiculado. E se, como escreve Aletti, ',talvez a obra lucana seja o primeiro ensaio de cristologia verdadeiramente narrativa',, teremos a oportunidade, por aí, de aprofundar caminhos de um renovado encontro com Jesus. […]Ficha Técnica
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