Gerrit Komrij
Antologiador de poesia, crítico, colunista, dramaturgo, ensaísta, poeta, romancista e tradutor, Gerrit Komrij nasceu em 1944 em Winterswijk, nos Países Baixos.
Em 1968, publicou o seu primeiro livro, Maagdenburgse halve bollen en andere gedichten (Hemisfério de Magdeburgo e Outros Poemas), obra que marcou desde logo a diferença, pela ruptura que assumiu relativamente às tendências da escrita neerlandesa da época. Contrariamente às correntes literárias da década de 70, Komrij cultivava formas clássicas (expressão hiperbólica de sentimentos e rigor da estruturação da escrita) e temáticas românticas (gosto pelo que é mórbido e negro), polvilhando-as com uma ponta de humor surrealista. A sua poesia é anti-lírica, não guarda lugar para a expressão do pensamento e sentimentos pessoais – a poesia serve para brincar com as palavras, ela é uma forma de divertimento. Já mais velho, permite-se a exprimir aquilo que sente (misturado com a nostalgia da distância da juventude) e põe um pouco de lado a ironia que lhe era característica, nunca a abandonando totalmente.
Em 1984, mudou-se para Portugal, e é neste país que vive actualmente. No mesmo ano, publicou Alles onecht (Tudo Falso), onde reuniu parte da sua obra produzida até então (tinha editado oito livros de poesia e seis edições menos comercializadas). A antologia parecia anunciar a paragem até data indefinida da sua produção literária. De facto, só doze anos depois é que voltou a publicar (Rook zonder vuur – Fumo sem Fogo, 1998). A irreverência permanece na sua escrita, mas contemplação do mundo sobrepõe-se agora à morte, que é abordada de outro modo (em parte pelo facto de ter contactado de perto com ela, quando esteve doente).
Em 1993 recebeu o maior prémio literário holandês, o P.C. Hooft-prijs, sendo que só a partir de 2000 atingiu um reconhecimento mais generalizado, quando foi eleito primeiro poeta laureado holandês. A recolha mais actual da sua poesia completa data de 2004 — Alle gedichten tot gisteren (Todos os Poemas até Ontem)
No posfácio à antologia poética Contrabando, Arie Pos resume a importância da poesia de Gerrit Komrij, ao afirmar: “[Komrij] Tornou-se um fenómeno, graças a um estilo ímpar, um humor tanto cáustico como hilariante, uma irreverência polemista para com tudo e todos e uma assumida posição de ‘outsider’ e contravoz no coro de artistas e intelectuais neerlandeses”.
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