Francisco de Quevedo

D. Francisco Gómez de Quevedo y Villegas nasceu em Madrid, a 17 de Setembro de 1580, ano em que Filipe II, então reinante em Espanha, passou a ocupar também o trono de Portugal. De origem nobre, seu pai foi secretário da rainha D. Ana, mulher de Filipe II, e sua mãe dama de honor desta rainha. Estudou dois anos no Colégio Imperial dos Jesuítas, de Madrid; em 1596 começou a frequentar a Universidade de Alcalá de Henares, onde obteve o título de bacharel em 1600, passando em 1602 para a Universidade de Valladolid quando a corte aí residiu (1601-1605), para fazer estudos que provavelmente concluiu em 1652.
Já então se distinguiu como poeta: a colectânea de Pedro Espinosa, Primera Parte de las Flores de Poetas Ilustres de España (saída em 1605, embora com aprovação de 1603), inclui dezoito poemas de Quevedo, a comprovar a sua reputação; a Segunda Parte del Romancero General, editada em Valladolid, também em 1605, inclui quatro romances de Quevedo. (...)
Com o regresso da corte a Madrid, Quevedo voltou à cidade natal. Começou a escrever El Buscón, Los Sueños e numerosos poemas, embora seja difícil precisar quais, pois apenas se conseguiu fixar a cronologia de cerca de 300 numa obra que atinge quase 900 poemas. James O. Crosby data de 1603 a 1613 "uns 75 poemas e provavelmente muitos mais".
Cerca de 1613 escreveu um notável conjunto de poemas que testemunha uma profunda crise espiritual, denominado Heráclito Cristiano y Segunda Arpa a Imitación de David.
A política atraía-o, talvez porque considerasse valioso o contributo que assim poderia dar à vida espanhola de então, que o confrangia, talvez por ser um meio de afirmar as suas pretensões nobiliárquicas, de ascensão social e obtenção de meios de fortuna. Entre 1613 e 1619 exerceu intensa actividade política ao serviço de D. Pedro Téllez Girón, Duque de Osuna, que em 1610 fora nomeado vice-rei da Sicília e em 1616 ascendeu a vice-rei de Nápoles, fazendo estes territórios parte do império espanhol. (…) Em 1618 as relações entre Quevedo e o Duque de Osuna principiaram a deteriorar-se; o poeta regressou de Itália em 1620, ano em que o duque foi destituído de vice-rei de Nápoles. Ainda antes de principiar o processo movido contra o Duque, Quevedo foi desterrado para a Torre de Juan Abad — vila manchega sobre cujo senhorio pleiteou durante alguns anos — e em 1621 foi encarcerado (no convento de Uclés, graças a ser cavaleiro de São Tiago), voltando depois para a sua vila, até ser libertado. (…)
Na noite de 7 de Dezembro de 1639, Quevedo foi preso em casa do Duque de Medinaceli, em Madrid. (…) Na sua correspondência, Quevedo afirma ter sido vítima de uma calúnia. Sobre as causas desta prisão não existem hoje dúvidas, segundo Pablo Jauralde Pou: "O Duque do Infantado acusara [Quevedo], secretamente, de confidente dos franceses, isto é, de traidor e espião (…). Quevedo conheceu, creio que a partir de aproximadamente o segundo ano da sua prisão, não só a razão do seu encarceramento, mas também o nome do delator." Após dois anos de prisão, as rigorosas condições em que estava foram atenuadas: podia sair da cela, receber visitas, escrever. Mantém então "uma intensa produção literária". Foi libertado em Junho de 1643, após a queda do Conde-Duque de Olivares, sem nunca ter sido acusado oficialmente. A sua saúde estava muito abalada, regressou a Madrid, onde ficou até Novembro de 1644.

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