Daniil Harms
Daniil Ivanovich Yuvachev nasceu em S. Petersburgo, no ano de 1905.
Estudou no liceu alemão Peterschule, onde aprendeu as bases do inglês e do alemão. Foi também por esta altura que criou o pseudónimo Kharms (provavelmente por influência do Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle). Mas este não era o seu único pseudónimo – ganhou o hábito de utilizar variações do nome Kharms, tendo assinado textos com diferentes pseudónimos: DanDan, Khorms, Harms, Charms (...). Em 1924 entrou para o Instituto Electrotécnico de Leninegrado (antiga S. Petersburgo), mas depressa foi expulso pela sua fraca participação nas actividades sociais. Depois deste episódio, decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura. Juntou-se então ao círculo de Tufanov, um poeta e seguidor da poesia zaum (transmental). Foi também por esta altura que começou a amizade e colaboração com o poeta Alexander Vvedensky.
Em 1927, Harms foi convidado a integrar a recentemente criada Associação de Escritores de Literatura Infantil, que se tornou uma das suas paixões mais persistentes. Em 1928, criou o colectivo vanguardista OBERIU (União da Arte Real). Interessou-se por movimentos como o Futurismo Russo (herdado de Malevich e Kazimir, entre outros), que lhe serviram de base para o pensamento surrealista que desenvolveu. A sua estética tinha como ideias centrais a crença na autonomia da arte relativamente à lógica e regras do mundo real, e a certeza de que os objectos e palavras possuem, para alem da sua função prática, um sentido mais profundo. Assim, defendeu estas teses em formas como o verso anti-racional e as performances de teatro não-linear. No fim da década de 20, era conhecido entre os círculos culturais de Leninegrado como poeta talentoso, mas também louco e excêntrico.
Em 1931 foi preso, e posteriormente exilado em Kursk, uma cidade no meio rural. Na base do exílio, o argumento de que a sua escrita para crianças era anti-soviética, porque não ensinava os valores materialistas russos, antes mergulhava numa lógica do absurdo. Quando regressou do exílio, continuou a escrever para crianças, mas estava proibido de encenar peças ou performances e o OBERIU tinha sido dissolvido. A literatura queria-se cada vez mais ao estilo do Realismo Socialista. Harms começou então a escrever apenas para as pessoas mais próximas, e a refugiar-se na literatura infantil. Mas esse trabalho não lhe permitia viver confortavelmente: o controlo e a censura do regime à literatura, assim como o magro ordenado, foram os principais responsáveis por uma vida de fome e endividamento.
Em 1941, voltou a ser preso, desta vez por suspeita de traição. Morreu (provavelmente de fome) em Leninegrado, no ano de 1942, na sua cela.
Grande parte das suas obras, religiosamente guardadas por amigos, só começaram a publicadas vinte ou trinta anos depois da sua morte.
Sou este autor e quero editar a minha página pública
Comentários
Para comentar precisa de estar registado

