Boris Vian

Boris Paul Vian (n. Ville-d'Avray, 10 de Março de 1920, m. Paris, 23 de Junho de 1959), foi um engenheiro, escritor, e cantautor francês, identificado com o movimento surrealista e ao anarquismo enquanto filosofia política. Aos 8 anos, lia Corneille, Racine, Molière e Maupassant. Aos 12, sofreu de complicações cardíacas. Era um boémio: festas-surpresa, altas-velocidades e trocadilhos em rima eram os seus passatempos. Interessou-se por jazz e em 1937 entrou no Hot Club de França (tocava trompete). Estudou engenharia mecânica. Em 1942 começou a trabalhar na fábrica AFNOR. Entrou em conflito com a administração por estar sempre a corrigir erros ortográficos dos superiores.

Publicou os primeiros escritos sob os pseudónimos Bison Ravi e Hugo Hachebuisson em 1944-45. Escreveu Vercoquin et le plancton (publicado em 1947), para onde transfere o clima de absurdo organizacional da fábrica. Foi despedido em 1946. O livro fê-lo conhecer Raymond Queneau, escritor, na altura editor da Gallimard. Começou a trabalhar na Office du Papier. Escritor apaixonado por jazz, escreveu em três meses A Espuma dos dias, com que concorreu ao prémio da Pléiade, que não recebeu, apesar dos apoios de Queneau, Beauvoir e Sartre, com quem convivia. Escreveu em 1946 Chronique du menteur em vários números do Temps Modernes. Publicou também J'irai cracher sur vos tombes sob pseudónimo de Vernon Sullivan, um "best-seller" censurado em 1949.

Trabalhou na orquestra de jazz de Claude Abadie. Foi também trompetista e animador no bar Le Tabou em Saint-Germain, onde se reuniam artistas. Escreveu L'Equarrissage pour tous, que adaptou para teatro: um fracasso. Em 1948 conheceu Duke Ellington, de visita a Paris. As edições Toutain publicaram A erva vermelha (1950), recusado pela Gallimard. Foi nomeado matador de primeira classe no Colégio dos Patafísicos. A Patafísica é a ciência das soluções imaginárias: a missão era «explorar os campos negligenciados pela física e metafísica». O grupo tinha um pai espiritual (Alfred Jarry, escritor, morreu em 1907) e reunia o barão Mollé (amigo de Jarry e de Apollinaire), Michel Leiris, Ionesco, Henri Robillot, Pascal Pic, Jacques Prévert. ...e "déspota" .

Dias antes de morrer, deu uma festa na "varanda dos três déspotas" - Vian, Prévert e Ergé - em honra do barão Mollé, recém-eleito curador dos Patafísicos. Foi a mais bela reunião, o apogeu do grupo, com Henri Salvador, Noël Arnaud, Pierre Kast ou René Clair. O déspota Latis pronunciou o elogio fúnebre de Vian, que sofria já de complicações cardíacas. «Morrerei antes dos 40», disse. Os médicos obrigaram-no a deixar o trompete. Morreu de ataque cardíaco, em 1959. Tinha 39 anos.

Nasceu a 10 de Março de 1920 , Ville d'Avray, França
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