Se perguntássemos a Agustina Bessa Luís se conserva afinidades com A Brusca, escrita há muito tempo, ela diria, como um dos seus personagens: «Não digo que sim, não digo que não...» Porque muita coisa mudou na sua arte, e todavia nada se modificou na essência dela. A Brusca é um livro de meditações contadas. Não se sabe se são memórias, se são apenas convivências imaginadas através de lugares muito familiares. Não tanto as pessoas como os lugares são a realidade de Agustina. As casas, as cidades com as praças e os jardins, as povoações com os seus pobres e os seus magnates que não são diferentes dos que por lá andavam no tempo de Pero Álvares de Caminha, são a realidade explorada e rezada por Agustina. Rios onde salta a boga e a truta branca, caminhos onde se conhece o pé do recoveiro, do carteiro, do negociante de cereal, são as realidades que transportam a curiosidade do homem. São o mundo criado em busca do seu criador que se esconde no véu dos tempos e pede auxiliar ou aprendiz que o substitua. Por exemplo, a realidade da Vieira de Leiria, com o estuário do Liz e a aldeia dos pescadores em que um mercado é uma sala de encontros, entrevistas e consultas, ao pé do alguidar de camarinhas e de tremoço, está ali como um templo. Real e convertido em idioma místico, em símbolo e em tentação.
Sinopse
Se perguntássemos a Agustina Bessa Luís se conserva afinidades com A Brusca, escrita há muito tempo, ela diria, como um dos seus personagens: «Não digo que sim, não digo que não...» Porque muita coisa mudou na sua arte, e todavia nada se modificou na essência dela. A Brusca é um livro de meditações contadas. Não se sabe se são memórias, se são apenas convivências imaginadas através de lugares muito familiares. Não tanto as pessoas como os lugares são a realidade de Agustina. As casas, as cidades com as praças e os jardins, as povoações com os seus pobres e os seus magnates que não são diferentes dos que por lá andavam no tempo de Pero Álvares de Caminha, são a realidade explorada e rezada por Agustina. Rios onde salta a boga e a truta branca, caminhos onde se conhece o pé do recoveiro, do carteiro, do negociante de cereal, são as realidades que transportam a curiosidade do homem. São o mundo criado em busca do seu criador que se esconde no véu dos tempos e pede auxiliar ou aprendiz que o substitua. Por exemplo, a realidade da Vieira de Leiria, com o estuário do Liz e a aldeia dos pescadores em que um mercado é uma sala de encontros, entrevistas e consultas, ao pé do alguidar de camarinhas e de tremoço, está ali como um templo. Real e convertido em idioma místico, em símbolo e em tentação.Ficha Técnica
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