Apresentação
A Guimarães, hoje, é conhecida, em primeiro lugar, como casa da grande escritora Agustina Bessa-Luís. Há mais de 50 anos que publica a ficção de Agustina, cuja notoriedade começou realmente com a publicação do seu segundo romance, “A Sibila”, que acabou de escrever em Janeiro de 1953 e recebeu no ano seguinte o Prémio Delfim Guimarães. Uma das primeiras decisões desta nova fase da GE foi a publicação da “obra completa” (opera omnia) de Agustina, que se iniciou com “Dicionário imperfeito”, organizado por Luis Abel Ferreira e Manuel Vieira da Cruz, com a preciosa colaboração do Dr. Alberto Luís. Eles são também responsáveis pela fixação dos textos que serão publicados nesta versão definitiva, ne varietur, das obras da autora.
O património histórico da Guimarães Editores é muito vasto. Neste momento, há muitos aspectos desse património que gostaríamos de refrescar e relembrar a um novo público. Desde Ferreira da Castro ou Joaquim Paço d’Arcos até ao muito esquecido André Brun, um grande “humorista” cujos livros foram quase todos editados pela Guimarães e hoje só é lembrado ainda por uma ou duas das suas peças de teatro, como “A Vizinha do Lado”, levada ao cinema nos anos trinta por António Lopes Ribeiro e vista algumas vezes na televisão, ou “A Maluqinha de Arroios”, muitas vezes posta em cena. Até – num plano diferente - Oliveira Martins, cujas obras completas editadas pela Guimarães são outro importante recurso que nos interessa valorizar e actualizar.
Estamos, por outro lado a relançar uma das mais prestigiosas e emblemáticas colecções da GE, a de “Filosofia & Ensaios”, a que também está ligada a estreita relação da nossa editora com a chamada Filosofia Portuguesa e a obra de autores como Álvaro Ribeiro, José Marinho, Agostinho da Silva, Orlando Vitorino e, last but not least, o próprio Francisco da Cunha Leão, pai do actual, autor de dois ensaios fundamentais, “O enigma português” e “Ensaio de psicologia portuguesa”.
No campo da poesia – em que a Guimarães Editores também teve um papel muito importante (lembremos só a título de exemplo, sem falar de nomes mais conhecidos, poetas como Ruy Cinatti ou Tomaz Kim) contamos com a colaboração de Pedro Mexia, um dos membros do Conselho Editorial, para retomar a publicação de novos poetas. Teremos também uma colecção de “novas ficções”, para novas obras em prosa. Os primeiros livros, a sair em Setembro, serão “Elogio do Passeio Público”, de Filipa Martins, Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores e “Kismet, Contos de Fado”. Também não se pode esquecer a nova área das “estéticas”, em que temos alguns projectos em curso – e que terá como base material a Livraria Chiado.
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