Ramalho Ortigão
José Duarte Ramalho Ortigão foi um escritor português. Nasceu no Porto no dia 24 de Outubro de 1836 e morreu em Lisboa no dia 27 de Setembro de 1915. Matriculou-se com a idade de catorze anos no curso de Direito da Universidade de Coimbra, começando a leccionar francês no colégio dirigido por seu pai, o Colégio da Lapa, pouco tempo depois e no qual lhe sucedeu em 1860. Dedicou-se ao jornalismo, na função de crítico literário, e à produção de folhetins no "Jornal do Porto".
Interveio na célebre Questão Coimbrã (1865), defendendo Castilho, por meio do folhetim "Literatura de Hoje" batendo-se em duelo com Antero em razão disso. Em 1868 veio para Lisboa como oficial da secretaria da Academia de Ciências, estabelecendo uma ligação com Eça de Queirós e com o grupo das Conferências do Casino. Em 1870 começa a publicação, no "Diário de Notícias", em folhetins, do Mistério da Estrada de Sintra, em parceria com Eça. Este convívio com Eça deve ter conduzido à sua adesão ao realismo.
Desde 1871 começa a publicar, também com Eça, As Farpas, definidas como panfletos de oposição social e política pelo riso que são publicadas mensalmente. A partir do final de 1872 a autoria desta publicação passa a ser somente de Ramalho, já que Eça vai para Havana, a fim de ocupar o cargo consular para que foi nomeado. Ramalho edita, mais tarde (de 1887 a 1891), As Farpas, por temas. Nestes escritos de sua autoria, salienta-se o pendor didáctico da sua sátira política e social dentro do critério positivista mas sem renunciar aos valores patrióticos, a que acedeu, deixando o seu inconformismo revolucionário, e que o tornou figura de destaque na geração nacionalista que conduziu ao Integralismo Lusitano.
A partida de Eça levou-o a ser mais influenciado por Téofilo Braga, com quem organizou o centenário de Camões e a quem se deve, em grande parte, o esplendor do cortejo cívico. Para além da crítica humorada, que leva a cabo em As Farpas, é de salientar a autoria de livros de viagens como, por exemplo, A Holanda (1885) e John Bull (1887) em que capta uma grande variedade de cores, feitios e movimentos do mundo dos sentidos em feiras e arraias e também em locais pitorescos e que fazem dele um "escritor plástico".
Importante referir ainda o notável e intuitivo dom de crítica de arte, o primeiro que aparece em Portugal, e que é patente em muitas páginas dos seus livros, como na sua obra O Culto da Arte em Portugal, de 1896.
Unia-o a Eça uma grande amizade, que remontava aos tempos de escola de Eça no Porto, onde frequentou o colégio dirigido por Joaquim da Costa Ramalho Ortigão, pai de Ramalho. No entanto, isto não significa que Ramalho tenha concordado plenamente com o realismo queirosiano, o que é visível em alguma da correspondência que trocaram. Para Eça Ramalho era como que um confessor a quem contava os seus projectos, os problemas da sua arte e as suas constantes dificuldades monetárias. Esta amizade que os une mantém-se mesmo após a saída de Eça do país, o que se pode confirmar pelo número de cartas que Eça dirigiu a seu amigo Ramalho, só suplantado pelo número de cartas que enviou a sua mulher, D. Emília de Castro Pamplona (Resende).
Nasceu a 24 de Outubro de 1836 , Porto, Portugal
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