John Cale
«Os desejos infinitos que as habitam [às músicas] são cantados até à exaustão, mas são quase sempre sabotados pelo efeito perverso de algumas obsessões que correm como um rio subterrâneo por toda a sua obra a solo. O Medo, a Violência, o valor ambíguo da Amizade, a quase impossibilidade da Espiritualidade, a proximidade da Loucura, a efemeridade do Amor, a necessidade absoluta de Mudança, as amarras da Sociedade e do Poder», escreve Fátima Castro Silva no seu texto Vozes da Chuva, introdução ao livro dos poemas de John Cale, Céu Faminto.
Este músico, parceiro de Lou Reed nos Primitives e nos Velvet Underground (guitarra, teclado, às vezes co-autor das letras e responsável pelos inovadores experimentalismos musicais da banda), foi um dos mais importantes produtores do pré-punk, do punk e da “new wave”.
Juntamente com Reed partilhava o desejo de inovação da música rock, e era isso que os unia. Contudo, em 1968, Cale sai dos Velvet Underground, para fazer produção (por exemplo, dos álbuns da cantora Patti Smith), e em 70 começa a carreira a solo com o álbum Vintage Violence. Já em 1992, e em conformidade com a sua vasta discografia, surge Music for a New Society, que Fátima Castro Silva considera estar “repleto de canções cruas, claustrofóbicas e desencantadas”.
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