Não existe arbitragem comercial sem Judiciário. No final de tudo - se
as partes vencidas não acatarem as decisões arbitrais - há que recorrer
aos tribunais estatais para executar as sentenças. Mas antes disso, os
tribunais são chamados a colaborar com o sistema arbitral em muitas
ocasiões, como sejam a nomeação e recusa de árbitros, as medidas
cautelares, a cooperação na produção de prova, a fixação de honorários
de árbitros, por vezes os recursos quando expressamente previstos,
sempre o reconhecimento de sentenças arbitrais estrangeiras. E como se
tudo isso não fosse já suficiente, é nos tribunais judiciais, pelo menos
em países como Portugal, que encontramos inspiração para definirmos o
que é a imparcialidade e a independência de que fala a Lei de Arbitragem
portuguesa e que constitui o cerne da força, credibilidade e futuro da
resolução de litígios por via arbitral. Por tudo isso, fazia sentido há
muito tempo realizar um congresso sob o tema "Tribunais Arbitrais e
Tribunais Estaduais". Eu tinha podido participar como orador num
congresso semelhante realizado pelo Centro de Formação de Magistrados e
pelo Superior Tribunal de Justiça brasileiros e em Espanha também já se
tinham realizado. Tratava-se de nos inspirarmos e convidar magistrados
judiciais, árbitros, advogados, diretores jurídicos de empresas e
responsáveis por centros de arbitragem. O sucesso ultrapassou as nossas
melhores e maiores expectativas. Tivemos como oradores sete magistrados
judiciais de 1ª Instância, das Relações e do nosso STJ, além do seu
Presidente, Conselheiro Henriques Gaspar, um magistrado do STJ
brasileiro e outro do Tribunal Superior de Justiça do País Basco. Vieram
oradores de centros de arbitragem de dimensão mundial como o ICSID, a
CCI, o PCA de Haia. O CAAD português também. Juntámos árbitros muito
prestigiados vindos de EUA, Espanha, Reino Unido e Itália. Nunca em
Portugal tantos e tão excelentes magistrados judiciais tinham sido
oradores em evento arbitral. Nem todos os oradores tiveram
disponibilidade para escrever um artigo com base nas suas intervenções,
mas pelos que estão neste volume se percebe a qualidade do Congresso. O
Judiciário Português é considerado desde sempre "amigo da arbitragem", o
que é uma garantia que protege o sistema e permite confiar na escolha
de Portugal como sede para arbitragens internacionais. Este Congresso
demonstra que é mais do que amigo, pois está envolvido no sucesso do
sistema arbitral e na contribuição para a formação dos que à arbitragem
se dedicam.
Sinopse
Ficha Técnica
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