Publicada em 1817, e composta, na sua maior parte, em 1815, Biographia
Literaria é uma autobiografia produzida cedo, quando o autor não tinha ainda
quarenta e cinco anos – e ele viria a ter ocasião de se declarar insatisfeito
com a escrita de certos passos. A obra não deixa de ser, porém, uma
apologia pro vita sua (para aludirmos a um título de outro distinto intelectual
inglês do século XIX), da qual resulta arvorar-se o autor em arauto de uma
percepção integrativa das várias dimensões do real, votada a um encontro
quase místico com uma entidade divina que se reconhece participada pela –
e manifesta na – consciência do sujeito individual. Constituindo, assim, uma
justificação do seu narrador e protagonista, Biographia Literaria implica uma
retractação do radicalismo juvenil coleridgeano, quer no que respeita aos
contornos revolucionários das suas simpatias políticas, quer no que concerne
ao Unitarismo que chegou a pregar, uma retractação feita em nome das
convicções da idade madura e em benefício de uma respeitabilidade de
timbre conservador e anglicano de que Coleridge agora se reivindica. No
domínio da apreciação literária, tem o memorialista a candura de confessar
erros passados, do tempo em que tinha escassa sensibilidade para certos
tipos de escrita, e em que, portanto, a ainda fraca educação do gosto e a
pouca maturidade o fizeram ser injusto para com alguns poetas, ou do tempo
em que subscreveu doutrinas filosóficas que entretanto se viu obrigado a
renegar..
Sinopse
Publicada em 1817, e composta, na sua maior parte, em 1815, Biographia Literaria é uma autobiografia produzida cedo, quando o autor não tinha ainda quarenta e cinco anos – e ele viria a ter ocasião de se declarar insatisfeito com a escrita de certos passos. A obra não deixa de ser, porém, uma apologia pro vita sua (para aludirmos a um título de outro distinto intelectual inglês do século XIX), da qual resulta arvorar-se o autor em arauto de uma percepção integrativa das várias dimensões do real, votada a um encontro quase místico com uma entidade divina que se reconhece participada pela – e manifesta na – consciência do sujeito individual. Constituindo, assim, uma justificação do seu narrador e protagonista, Biographia Literaria implica uma retractação do radicalismo juvenil coleridgeano, quer no que respeita aos contornos revolucionários das suas simpatias políticas, quer no que concerne ao Unitarismo que chegou a pregar, uma retractação feita em nome das convicções da idade madura e em benefício de uma respeitabilidade de timbre conservador e anglicano de que Coleridge agora se reivindica. No domínio da apreciação literária, tem o memorialista a candura de confessar erros passados, do tempo em que tinha escassa sensibilidade para certos tipos de escrita, e em que, portanto, a ainda fraca educação do gosto e a pouca maturidade o fizeram ser injusto para com alguns poetas, ou do tempo em que subscreveu doutrinas filosóficas que entretanto se viu obrigado a renegar..Ficha Técnica
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