Recolhem-se nesta edição muitos dos escritos que o autor foi publicando, ao longo de 25 anos, sobre Eça de Queiroz e alguns outros, sobre figuras literárias que lhe são afins, tais como António Sérgio e Vergílio Ferreira. Pergunta Bachelard, em O Prazer do Texto, se «alguma vez se leu Proust, Balzac, Guerra e Paz, palavra por palavra?». Quer isto dizer que as leituras dos grandes romances universais convidam à prática da chamada «arte de saltar». Seria curioso inquirir-se se seremos também compelidos a praticar tal arte ao ler a narrativa tão perfeitamente coesa e cerzida de, por exemplo, O Primo Basílio. Suponho que não, afigurando-se-me esta uma das qualidades essenciais que diferencia Eça de muitos dos seus confrades clássicos. Terão estes, certamente, outras virtudes, importâncias e precedências que de todo faltarão ao autor d’Os Maias. Não o igualam, todavia, naquilo a que ele chamou o processo, ou seja, a arte da expressão escrita, esse modo inconfundível de nos representar a realidade e de nela, com ironia, humor e espírito crítico, nos interessar. Melhor diria, de nos arrebatar. Só o que deveras amamos nos pode dar esse prazer supremo, o de, recolhi-damente, escolher e alinhar palavras que julgamos capazes de transmitir aos outros, com propósitos de simples divulgação, ou de pesquisa, o que de mais essencial encontramos no autor ou autores da nossa predilecção.
Sinopse
Recolhem-se nesta edição muitos dos escritos que o autor foi publicando, ao longo de 25 anos, sobre Eça de Queiroz e alguns outros, sobre figuras literárias que lhe são afins, tais como António Sérgio e Vergílio Ferreira. Pergunta Bachelard, em O Prazer do Texto, se «alguma vez se leu Proust, Balzac, Guerra e Paz, palavra por palavra?». Quer isto dizer que as leituras dos grandes romances universais convidam à prática da chamada «arte de saltar». Seria curioso inquirir-se se seremos também compelidos a praticar tal arte ao ler a narrativa tão perfeitamente coesa e cerzida de, por exemplo, O Primo Basílio. Suponho que não, afigurando-se-me esta uma das qualidades essenciais que diferencia Eça de muitos dos seus confrades clássicos. Terão estes, certamente, outras virtudes, importâncias e precedências que de todo faltarão ao autor d’Os Maias. Não o igualam, todavia, naquilo a que ele chamou o processo, ou seja, a arte da expressão escrita, esse modo inconfundível de nos representar a realidade e de nela, com ironia, humor e espírito crítico, nos interessar. Melhor diria, de nos arrebatar. Só o que deveras amamos nos pode dar esse prazer supremo, o de, recolhi-damente, escolher e alinhar palavras que julgamos capazes de transmitir aos outros, com propósitos de simples divulgação, ou de pesquisa, o que de mais essencial encontramos no autor ou autores da nossa predilecção.Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)