Henry James [1843-1916] escreveu ao contrário dos
êxitos literários do seu tempo. Numa época de leitores a preferirem histórias
com surpresas de percurso, pôs um grande talento de escritor ao serviço de uma
corrente calma, discreta e a espalhar-se num extenso número de páginas,
entravada por análises psicológicas de personagens distanciadas, na cultura e
nos confortos, do homem mais comum nesse final do século XIX. E se o século
seguinte o compreendeu como bom exemplo do construtor da obra de arte literária
no mais nobre sentido que a expressão pode sugerir, a solicitar do leitor uma
sensibilidade idêntica à exigida na apreciação de uma sonata ou de um quadro,
durante a sua vida só teve êxitos pouco generosos e reticentes. […]Dir-se-á, porém, que este
Henry James sofredor recebia com desdém o entusiasmo alheio pelas suas ficções,
e via-o como resultado da cedência do texto ao que era um mais trivial gosto do
público. Sentimo-lo encolher os ombros aos elogios que valorizavam The Turn of the Screw, e
bem podia Oscar Wilde designá-lo como surpresa «enorme». Numa carta a H.G. Wells
acusou o seu texto de «irresponsável» e de apenas ser «um pedaço de
engenhosidade pura e simples». E quando publicou Os Manuscritos de Aspern, uma das suas ficções curtas mais brilhantes (para o seu
biógrafo Leon Edel, a melhor de quantas escreveu), aos acidentais entusiasmos
contrapôs esta água fria: «não passa de uma anedota»; verdade apenas de fundo
porque Os Manuscritos de Aspern repensam e dão dimensões nostálgicas, amargas e
perversas ao caso verídico que determinou a sua génese e em conversas de salão
pôde ser contado com os picantes de uma anedota.A.F.
Sinopse
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