Pela tarde, de regresso a casa, descobrimos uma enorme serpente marinha
com a garganta entalada na nossa porta, e a serpente era florescente e
negra, dir-se-ia um malefício de ciganos, com os olhos ainda vivos e os
dentes de serrilha nas mandíbulas escancaradas. Eu andava então pelos
nove anos, e senti um terror tão intenso ante aquela aparição de delírio
que a voz me ficou estrangulada. Mas o meu irmão, que era dois anos
mais novo do que eu, largou as garrafas de oxigénio, as máscaras e as
barbatanas e desatou a fugir com grito de pavor. A senhora Forbes ouviu-
o a meio das tortuosas escadas de pedra que trepavam dos recifes do
embarcadouro até casa, e correu até nos alcançar, arquejante e lívida,
tendo-lhe porém bastado ver o animal crucificado na porta para
compreender a causa do nosso horror
Sinopse
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