"Mocidade — uma Narrativa já é toda dessa angústia tolhida à secretária, de uma disciplina de escrita levada a cabo com muitos sofrimentos, é de 1898 e transfigura a peripécia trágica de uma viagem do próprio Conrad nos tempos de Marselha, quando andou pelo mar no Palestine (registe-se que é Judea na novela), navio abandonado por causa de um incêndio, a 14 de Março de 1883. As ondas gigantescas, a fúria maligna das chamas ficaram entre as descrições mais poderosas da sua ficção. Retêm-se por uma enorme força de ‘imagem’ e de palavra, mesmo que Virginia Woolf pretenda o contrário. É no seu Common Reader: — Compramos um livro de Conrad e o que retemos não é aquela onda gigantesca que partiu tabiques e arrastou marinheiros, não é aquele pôr-do-sol ou aquele incêndio em pleno mar, é antes a grandeza que o homem revela a enfrentar a onda, em ser corajoso, bom, fiel, num universo indiferente e perigoso. Ter coragem, ser bom, ser fiel, expressões simplificadoras e moralizantes de uma virtude mais oculta e fugidia, pois se há coragem nas acções criadas por Conrad, se há ser bom e ser fiel, nunca se lhes pega o triunfo exemplar na batalha contra as forças adversas, antes a redutora evidência de um esforço inútil, quando não da morte, que será sempre destituída de heroísmos, quando muito lamento de outros tempos, os da mocidade — únicos poupados pelo Mal do mundo.” (Aníbal Fernandes, na sua introdução a este livro)
Sinopse
"Mocidade — uma Narrativa já é toda dessa angústia tolhida à secretária, de uma disciplina de escrita levada a cabo com muitos sofrimentos, é de 1898 e transfigura a peripécia trágica de uma viagem do próprio Conrad nos tempos de Marselha, quando andou pelo mar no Palestine (registe-se que é Judea na novela), navio abandonado por causa de um incêndio, a 14 de Março de 1883. As ondas gigantescas, a fúria maligna das chamas ficaram entre as descrições mais poderosas da sua ficção. Retêm-se por uma enorme força de ‘imagem’ e de palavra, mesmo que Virginia Woolf pretenda o contrário. É no seu Common Reader: — Compramos um livro de Conrad e o que retemos não é aquela onda gigantesca que partiu tabiques e arrastou marinheiros, não é aquele pôr-do-sol ou aquele incêndio em pleno mar, é antes a grandeza que o homem revela a enfrentar a onda, em ser corajoso, bom, fiel, num universo indiferente e perigoso. Ter coragem, ser bom, ser fiel, expressões simplificadoras e moralizantes de uma virtude mais oculta e fugidia, pois se há coragem nas acções criadas por Conrad, se há ser bom e ser fiel, nunca se lhes pega o triunfo exemplar na batalha contra as forças adversas, antes a redutora evidência de um esforço inútil, quando não da morte, que será sempre destituída de heroísmos, quando muito lamento de outros tempos, os da mocidade — únicos poupados pelo Mal do mundo.” (Aníbal Fernandes, na sua introdução a este livro)
Ficha Técnica
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