“Do nosso ponto de vista, cremos que a Guarda de Ferro foi um movimento mais religioso e militar que político, havendo que estudá-lo como tal, mais de um ponto de vista sociológico e antropológico-etnológico do que de um ponto de vista ideológico e político (…) a Guarda de Ferro esteve tão estreitamente vinculada às tradições romenas, que a investigação histórica que a queira estudar deverá ir a par com uma pesquisa histórica, religiosa e com tudo o mais que tal possa acarretar.” - Franco Cardini Mircea Eliade e a Guarda de Ferro constitui uma importante contribuição para a compreensão do itinerário intelectual do grande historiador das religiões, bem como para a história do Movimento Legionário nas suas relações com a cultura romena. Apoiando-se numa abundante documentação, o autor empenhou-se em reconstituir todo um quebra-cabeças, do qual sobressai que uma grande parte da produção teórica e romanesca de Eliade é indissociável do empenho do escritor, nos anos 30, a favor do movimento fundado e dirigido por Corneliu Zelea Codreanu. A competência de Claudio Mutti sobre este assunto é inquestionável. Falando fluentemente o romeno, traduziu para o italiano os principais textos da literatura legionária e escreveu vários livros sobre o fenómeno legionário e a influência de René Guénon na Roménia. A FACETA MENOS PROPAGADA DE MIRCEA ELIADE Mircea Eliade (Bucareste, 13 de Março de 1907 — Chicago, 22 de Abril de 1986) foi um historiador e romancista romeno naturalizado estadunidense. Foi um dos mais importantes e influentes historiadores e filósofo das religiões da contemporaneidade. Embora o seu trabalho académico nunca tenha estado subordinado às suas crenças políticas, este reflecte a escola de pensamento associada à Roménia do entre-guerras, bem como das obras de Julius Evola, tendo ligações temáticas comuns às do fascismo. O académico Marcel Tolcea tem defendido que, por intermédio da interpretação que Evola fez das obras de Guénon, Eliade manteve uma ligação notável às ideologias nacionalistas e que este transparece nas suas obras. Um artigo, datado dos anos 30, via Eliade retractar Julius Evola como sendo um grande intelectual e elogiar intelectuais tão polémicos como Oswald Spengler, Arthur de Gobineau, Houston Stewart Chamberlain e inclusive Alfred Rosenberg, ideólogo nazi. Evola, que continuou a defender os princípios do fascismo místico, na sua interpretação de Direita, chegou a protestar que Eliade pecava por não o citar a ele nem a Guénon. Eliade respondeu-lhe que os seus trabalhos se destinavam a um público mais amplo, que não os iniciados dos círculos esotéricos. No final dos anos 60 Eliade, bem como Evola e Rougier, entre outros intelectuais, deram o seu apoio ao GRECE - Groupement de Recherche et d'Études pour la Civilisation Européenne, parte da corrente intelectual que ficou conhecida pelo nome de Nova Direita.
Sinopse
“Do nosso ponto de vista, cremos que a Guarda de Ferro foi um movimento mais religioso e militar que político, havendo que estudá-lo como tal, mais de um ponto de vista sociológico e antropológico-etnológico do que de um ponto de vista ideológico e político (…) a Guarda de Ferro esteve tão estreitamente vinculada às tradições romenas, que a investigação histórica que a queira estudar deverá ir a par com uma pesquisa histórica, religiosa e com tudo o mais que tal possa acarretar.” - Franco Cardini
Mircea Eliade e a Guarda de Ferro constitui uma importante contribuição para a compreensão do itinerário intelectual do grande historiador das religiões, bem como para a história do Movimento Legionário nas suas relações com a cultura romena. Apoiando-se numa abundante documentação, o autor empenhou-se em reconstituir todo um quebra-cabeças, do qual sobressai que uma grande parte da produção teórica e romanesca de Eliade é indissociável do empenho do escritor, nos anos 30, a favor do movimento fundado e dirigido por Corneliu Zelea Codreanu.
A competência de Claudio Mutti sobre este assunto é inquestionável. Falando fluentemente o romeno, traduziu para o italiano os principais textos da literatura legionária e escreveu vários livros sobre o fenómeno legionário e a influência de René Guénon na Roménia.
A FACETA MENOS PROPAGADA DE MIRCEA ELIADE
Mircea Eliade (Bucareste, 13 de Março de 1907 — Chicago, 22 de Abril de 1986) foi um historiador e romancista romeno naturalizado estadunidense. Foi um dos mais importantes e influentes historiadores e filósofo das religiões da contemporaneidade.
Embora o seu trabalho académico nunca tenha estado subordinado às suas crenças políticas, este reflecte a escola de pensamento associada à Roménia do entre-guerras, bem como das obras de Julius Evola, tendo ligações temáticas comuns às do fascismo. O académico Marcel Tolcea tem defendido que, por intermédio da interpretação que Evola fez das obras de Guénon, Eliade manteve uma ligação notável às ideologias nacionalistas e que este transparece nas suas obras.
Um artigo, datado dos anos 30, via Eliade retractar Julius Evola como sendo um grande intelectual e elogiar intelectuais tão polémicos como Oswald Spengler, Arthur de Gobineau, Houston Stewart Chamberlain e inclusive Alfred Rosenberg, ideólogo nazi. Evola, que continuou a defender os princípios do fascismo místico, na sua interpretação de Direita, chegou a protestar que Eliade pecava por não o citar a ele nem a Guénon. Eliade respondeu-lhe que os seus trabalhos se destinavam a um público mais amplo, que não os iniciados dos círculos esotéricos. No final dos anos 60 Eliade, bem como Evola e Rougier, entre outros intelectuais, deram o seu apoio ao GRECE - Groupement de Recherche et d'Études pour la Civilisation Européenne, parte da corrente intelectual que ficou conhecida pelo nome de Nova Direita.
Ficha Técnica
- Actualmente 0 estrelas
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
(0 comentários dos leitores)