Os dezoito estudos sobre literatura e cinema constantes deste volume
foram concebidos como um tributo ao cineasta Manoel de Oliveira, aquando
da comemoração dos seus cem anos de vida, 77 dos quais dedicados à 7.ª
arte. Homenagem a um dos realizadores mais importantes da história do
cinema, a presente edição examina, entre outras temáticas, a sua ligação
visceral a diversas artes, nomeadamente a pintura, a música, a
escultura ou o teatro. Objecto de reflexão é também o interesse de
Oliveira por textos filosóficos de variado quilate, sendo ainda
analisado o modo como encenou cinematograficamente o expansionismo
europeu, os amores frustrados ou a dialéctica entre o bem e o mal.Manoel
de Oliveira é um caso prodigioso da arte portuguesa contemporânea.
Desde logo, pela extensão e importância do seu trabalho cinematográfico,
que começa em 1931 cultivando o cinema de vanguarda, continua em 1942
inventando o neorrealista, regressa em 1971 propondo uma espécie de
nouvelle vague, e, sobretudo, a partir de 1978 e do grande Amor de
Perdição, realizando dezenas de longas-metragens com uma qualidade de
inovação que foi merecendo um progressivo reconhecimento internacional.O
seu princípio mais importante talvez seja o de tratar a vida como
teatro, no sentido em que a vida é já representação, e nada pode existir
sem os elementos convencionais que lhe dão sentido: se com o teatro se
acede à realidade, sem ele fica-se reduzido à natureza. Portanto, o
teatro torna-se a verdade do cinema.Manoel de Oliveira propõe formas de
representação que exibem as convenções da representação, expondo a
artificialidade que faz parte íntima da experiência humana - e criando
assim uma arte constantemente surpreendente. Fernando Cabral Martins -
Universidade Nova de Lisboa
Sinopse
Ficha Técnica
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