Ainda Eduardo Lourenço dizia recentemente, a propósito de Portugal e dos desafios do milénio: «O futuro é também uma ideia de fé, mas devemos imaginá-lo num tempo que simbolicamente perdeu a fé no futuro.» Mas, mesmo sem falar de fé, e uma vez que se vive num tempo em que o alargamento da União Europeia se coloca como uma questão essencial, será também necessário que o alargamento «interior» a propósito do enraizamento na Europa e da pertença de fundo à sua civilização tenha lugar em e a partir de cada uma das identidades e das culturas que formam o mosaico europeu. O que não exclui, em termos de formação e evolução das mentalidades, que a «Europa com destino» ainda surja a muitos portugueses como uma espécie de destino «residual». E é exactamente nessa zona da memória obscura, em que se fundem tantos factores, tantos elementos, tantas contradições, tantas verbalizações, tantas tensões entre aquilo que permanece e aquilo que vai mudando, até tantos oportunismos, por vezes inconscientes, intelectuais, culturais e políticos, que se coloca o cerne da questão da identidade.
Sinopse
Ainda Eduardo Lourenço dizia recentemente, a propósito de Portugal e dos desafios do milénio: «O futuro é também uma ideia de fé, mas devemos imaginá-lo num tempo que simbolicamente perdeu a fé no futuro.» Mas, mesmo sem falar de fé, e uma vez que se vive num tempo em que o alargamento da União Europeia se coloca como uma questão essencial, será também necessário que o alargamento «interior» a propósito do enraizamento na Europa e da pertença de fundo à sua civilização tenha lugar em e a partir de cada uma das identidades e das culturas que formam o mosaico europeu. O que não exclui, em termos de formação e evolução das mentalidades, que a «Europa com destino» ainda surja a muitos portugueses como uma espécie de destino «residual». E é exactamente nessa zona da memória obscura, em que se fundem tantos factores, tantos elementos, tantas contradições, tantas verbalizações, tantas tensões entre aquilo que permanece e aquilo que vai mudando, até tantos oportunismos, por vezes inconscientes, intelectuais, culturais e políticos, que se coloca o cerne da questão da identidade.Ficha Técnica
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