Embora inédito, Lisbon Blues é um livro escrito há muito, por
alturas da chegada do autor à cidade que encontrou "pintada" desta
maneira tão peculiar. Como bem notou António Cabrita, «o verdadeiro
resgate deste livro é a sua consciência crioula, mestiça, o entrelaçado
dos seus veios no ladrilhado dos seus versos. Ao jeito de uma bebinca.
Expliquemo-nos. Temos a camada da Lisboa empírica, a da locomoção e
vivência do poeta: as noites, engates, itinerários, passeios,
eléctricos, turistagens, desejos, expectativas e rasgões deceptivos no
plano existencial, o recorte da vida; depois temos, noutra camada, isso
confrontado com a memória da Lisboa dos poetas que o poeta lê - Cesário,
Vitorino Nemésio, Armando Silva Carvalho, o inevitável Pessoa, etc. -, a
tradução literária -; ao que se sobrepõe nova camada com a memória
transpessoal dos lugares: do rio, omnipresente, aos monumentos, às
ínfimas e bolorentas tascas, ou aos cafés, miradouros, jardins e praças,
e à sua importância topológica no cruzamento de comunidades díspares.
Sinopse
Ficha Técnica
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