A personagem mítica de O Castelo e de O Processo, de Franz Kafka, é um dos raros mitos do século XX. Mas o que representa? Nunca descrita, ela não possui um rosto, nem um passado, erra num mundo que incessantemente se lhe recusa. Figura do exílio ou da paranóia, do absurdo, ou da culpabilidade, K. esquiva-se a qualquer identificação. Alguns viram nele uma vítima do capitalismo, do mundo burocrático, outros, o profeta dos grandes sistemas totalitários e dos campos de concentração. As interpretações confundem-se, sobrepõem-se, sem um verdadeiro alcance. Esta inacessibilidade do sentido apresenta-se como um reflexo da incapacidade da personagem. K. é, na verdade, um artista do infortúnio, afasta-se sempre com uma facilidade desconcertante do seu objectivo. Anti-herói por excelência, K. é, contudo, elevado aos meandros do mito. Conhecerá ele a posteridade de um Prometeu ou de um D. Quixote, ou não será ele um produto efémero de uma sociedade e de uma época.
Sinopse
A personagem mítica de O Castelo e de O Processo, de Franz Kafka, é um dos raros mitos do século XX. Mas o que representa? Nunca descrita, ela não possui um rosto, nem um passado, erra num mundo que incessantemente se lhe recusa. Figura do exílio ou da paranóia, do absurdo, ou da culpabilidade, K. esquiva-se a qualquer identificação. Alguns viram nele uma vítima do capitalismo, do mundo burocrático, outros, o profeta dos grandes sistemas totalitários e dos campos de concentração. As interpretações confundem-se, sobrepõem-se, sem um verdadeiro alcance. Esta inacessibilidade do sentido apresenta-se como um reflexo da incapacidade da personagem. K. é, na verdade, um artista do infortúnio, afasta-se sempre com uma facilidade desconcertante do seu objectivo. Anti-herói por excelência, K. é, contudo, elevado aos meandros do mito. Conhecerá ele a posteridade de um Prometeu ou de um D. Quixote, ou não será ele um produto efémero de uma sociedade e de uma época.
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