Todos estão muito próximos uns dos outros, partilham-se alegrias e tristezas, ralham entre si e beijam-se logo a seguir. O restaurante e o teatro são os vazadouros naturais para a necessidade de acção da família. Não gostam de estar separados, nem sequer no Verão. Oscar Ekdahl I construiu quatro belas moradias de verão numa espécie de ilha que dá para a baía e para o mar. E ali, sem pestanas postiças, sem espartilhos, em fatos de linho mal passados, camisas largas que ondulam ao vento e chapéus de abas largas, gozam-se os prazeres da estação. Nessa espécie de ilha e nos seus pequenos bosques ressoam gritos e risadas, as bandeiras estalam ao vento, um violino geme algures vindo duma janela entreaberta, um ancinho de ferro range na gravilha da alameda, um cão uiva, e os Ekdahl passam o Verão no paraíso.A ceia de Natal chegou ao fim. Agora dança-se uma farândola, canta-se, bate-se com os pés, transpira-se. Segundo a tradição, a dança é conduzida por Héléna cujo penteado está quase a desmanchar-se, numa das mãos leva a Fanny, com a outra agarra as vastas saias e deixa ver os mais belos e elegantes tornozelos que existem no mundo, dentro de meias de seda com enfeites de flores e borboletas. A seguir a Fanny, vem a Maj, a criada dos meninos que rebenta de riso e canta, segue-se Gustav Adolf com as bochechas brilhantes de suor. Aproveitando a confusão, vai fazendo propostas desonestas à jovem criada. A seguir a Gustav Adolf Ekdahl, vem uma longa fila de crianças, que se esforçam por fazer o maior barulho possível. Depois é a vez do professor, da mulher e das meninas Ester e Vega, de Alida, Berta, Siri e Lisen. Agora segue-se Oscar Ekdahl, um pouco pálido, mas apesar de tudo com ar alegre, Émilie e Alma, que comenta em voz alta os avanços do marido junto da jovem criada. Depois é a vez de Isak Jacobi, resignado, que se submete aos ritos cansativos da família, e a gorda Petra que não consegue cantar porque comeu demasiado. O desfile atravessa os dois apartamentos, as portas de entrada e a porta oculta estão ambas abertas, os soalhos estremecem e os lustres tilintam. Para acabar, tudo desagua, cansado e risonho, no leito de Héléna, e então leva-se, com mil precauções, a árvore de Natal da janela de sacada até à grande porta que dá para a sala de jantar.Oscar Ekdahl foi buscar a Bíblia da família. Senta-se no pódio onde estava a árvore de Natal. Uma atmosfera solene invade a assistência. Oscar puxa da sua pena de ouro e abre o grande livro. Agora vai ler-se o evangelho de Natal, mas primeiro é preciso anotar numa das páginas de guarda, já cobertas de notas dos anos precedentes, (a partir de 1869, ano em que Oscar Ekdahl I casou com a jovem actriz Héléna Mandelbaum) os acontecimentos familiares mais importantes.”
Sinopse
Todos estão muito próximos uns dos outros, partilham-se alegrias e tristezas, ralham entre si e beijam-se logo a seguir. O restaurante e o teatro são os vazadouros naturais para a necessidade de acção da família. Não gostam de estar separados, nem sequer no Verão. Oscar Ekdahl I construiu quatro belas moradias de verão numa espécie de ilha que dá para a baía e para o mar. E ali, sem pestanas postiças, sem espartilhos, em fatos de linho mal passados, camisas largas que ondulam ao vento e chapéus de abas largas, gozam-se os prazeres da estação. Nessa espécie de ilha e nos seus pequenos bosques ressoam gritos e risadas, as bandeiras estalam ao vento, um violino geme algures vindo duma janela entreaberta, um ancinho de ferro range na gravilha da alameda, um cão uiva, e os Ekdahl passam o Verão no paraíso.A ceia de Natal chegou ao fim. Agora dança-se uma farândola, canta-se, bate-se com os pés, transpira-se. Segundo a tradição, a dança é conduzida por Héléna cujo penteado está quase a desmanchar-se, numa das mãos leva a Fanny, com a outra agarra as vastas saias e deixa ver os mais belos e elegantes tornozelos que existem no mundo, dentro de meias de seda com enfeites de flores e borboletas. A seguir a Fanny, vem a Maj, a criada dos meninos que rebenta de riso e canta, segue-se Gustav Adolf com as bochechas brilhantes de suor. Aproveitando a confusão, vai fazendo propostas desonestas à jovem criada. A seguir a Gustav Adolf Ekdahl, vem uma longa fila de crianças, que se esforçam por fazer o maior barulho possível. Depois é a vez do professor, da mulher e das meninas Ester e Vega, de Alida, Berta, Siri e Lisen. Agora segue-se Oscar Ekdahl, um pouco pálido, mas apesar de tudo com ar alegre, Émilie e Alma, que comenta em voz alta os avanços do marido junto da jovem criada. Depois é a vez de Isak Jacobi, resignado, que se submete aos ritos cansativos da família, e a gorda Petra que não consegue cantar porque comeu demasiado. O desfile atravessa os dois apartamentos, as portas de entrada e a porta oculta estão ambas abertas, os soalhos estremecem e os lustres tilintam. Para acabar, tudo desagua, cansado e risonho, no leito de Héléna, e então leva-se, com mil precauções, a árvore de Natal da janela de sacada até à grande porta que dá para a sala de jantar.Oscar Ekdahl foi buscar a Bíblia da família. Senta-se no pódio onde estava a árvore de Natal. Uma atmosfera solene invade a assistência. Oscar puxa da sua pena de ouro e abre o grande livro. Agora vai ler-se o evangelho de Natal, mas primeiro é preciso anotar numa das páginas de guarda, já cobertas de notas dos anos precedentes, (a partir de 1869, ano em que Oscar Ekdahl I casou com a jovem actriz Héléna Mandelbaum) os acontecimentos familiares mais importantes.”Ficha Técnica
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