É justo que me apresente. O meu nome é Leonor Teles de Meneses,
conhecida por Flor de Altura por aqueles que, feridos pelos meus cantos
de sereia, ficaram presos na rede das minhas palavras e da minha beleza.
Para as sombras justiceiras que me visitaram nos meus anos de prisão
fui a Dama Maldita. Ainda mais cruéis e certeiras, asseguraram-me que
ninguém me recordaria no futuro e que se o fizesse me contemplaria
debaixo do estigma da desonra. Cumpriram-se os seus presságios. Certo é
que fui adúltera, traí, intriguei e até manejei as adagas de outros… era
esse o negócio das cortes. O meu rei e marido, D. Fernando I de
Portugal, carecia de coragem e ambição. Justo o que sobrava ao meu amado
João Fernandes, conde de Andeiro. Tive então que actuar por minha conta
e risco e agora é altura de me justificar. Volto pois agora, para vos
explicar o porquê do meu destino. Tudo me foi dado. Tudo me foi tirado. É
hora da História me fazer justiça. Por isso quis contar a minha
verdade. De uma mulher que quis alcançar os céus e acabou por se perder
neles.
Lisboa, no ano do Senhor de dois mil seis Leonor Teles, Rainha de Portugal
Sinopse
Lisboa, no ano do Senhor de dois mil seis Leonor Teles, Rainha de Portugal
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