[...] A primeira impressão em relação aos seus [de Diogo Pimentão] trabalhos é oriunda de vermos uma repetição de processos que se passa a dois níveis: por um lado, no interior da própria obra, o gesto repete-se, por vezes de forma exaustiva e massiva, por outro, de obra para obra existe uma repetição de processos. [...]De facto, o carácter repetitivo é a primeira das suas marcas, a dois níveis: por um lado, os desenhos são construídos como repetições de marcas ou gestos – linhas que se repetem, ou pequenas marcas que sistematicamente cruzam a folha, por outro lado, são repetitivos numa hipotética linha do tempo a que obedecem, como um processo de gestos que, pela repetição, definem um plano diferente para si próprios. [...] A segunda temática sugerida pelos desenhos de Diogo Pimentão deriva da repetitividade [...] e desenha uma performatividade. A repetição vive de uma série de gestos que, sendo iguais, por se replicarem, passam a valorizar mutuamente as suas ínfimas diferenças e, portanto, dão-se sentido mutuamente. Claro que a repetição e a diferença narram a história de um processo de crescente auto-consciência, pelo artista, do seu processo, dos seus limites e possibilidades, da mesma forma que um atleta na repetição do seu treino adquire uma performatividade acrescida. [...]Por fim, os desenhos que Diogo apresenta em Cousa são o espelho da complexidade do seu processo. Talvez o exemplo mais acabado sejam os que resultam do uso das fitas que mascararam desenhos anteriores. São como mapas do seu procedimento, numerados e sistemáticos, a desordem novamente reapropriada para a produção de um novo guião. São provavelmente os únicos que não possuíram modelo, nem projecto, são os únicos em tempo real e, paradoxalmente, são aqueles que encerram todos os restantes no seu interior, como se produzissem obras, pregas nas quais podemos mergulhar no imenso tempo de preparação de todos os restantes. [...]”(excertos do texto de Delfim Sardo extraídos do catálogo Cousa)
Sinopse
[...] A primeira impressão em relação aos seus [de Diogo Pimentão] trabalhos é oriunda de vermos uma repetição de processos que se passa a dois níveis: por um lado, no interior da própria obra, o gesto repete-se, por vezes de forma exaustiva e massiva, por outro, de obra para obra existe uma repetição de processos. [...]De facto, o carácter repetitivo é a primeira das suas marcas, a dois níveis: por um lado, os desenhos são construídos como repetições de marcas ou gestos – linhas que se repetem, ou pequenas marcas que sistematicamente cruzam a folha, por outro lado, são repetitivos numa hipotética linha do tempo a que obedecem, como um processo de gestos que, pela repetição, definem um plano diferente para si próprios. [...] A segunda temática sugerida pelos desenhos de Diogo Pimentão deriva da repetitividade [...] e desenha uma performatividade. A repetição vive de uma série de gestos que, sendo iguais, por se replicarem, passam a valorizar mutuamente as suas ínfimas diferenças e, portanto, dão-se sentido mutuamente. Claro que a repetição e a diferença narram a história de um processo de crescente auto-consciência, pelo artista, do seu processo, dos seus limites e possibilidades, da mesma forma que um atleta na repetição do seu treino adquire uma performatividade acrescida. [...]Por fim, os desenhos que Diogo apresenta em Cousa são o espelho da complexidade do seu processo. Talvez o exemplo mais acabado sejam os que resultam do uso das fitas que mascararam desenhos anteriores. São como mapas do seu procedimento, numerados e sistemáticos, a desordem novamente reapropriada para a produção de um novo guião. São provavelmente os únicos que não possuíram modelo, nem projecto, são os únicos em tempo real e, paradoxalmente, são aqueles que encerram todos os restantes no seu interior, como se produzissem obras, pregas nas quais podemos mergulhar no imenso tempo de preparação de todos os restantes. [...]”(excertos do texto de Delfim Sardo extraídos do catálogo Cousa)Ficha Técnica
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