De bicicleta em direcção ao sol Quando a tarde cai, aos tropeções, do sol indiferente, resiste ainda o corpo frio, a luz rebelde que vem dos olhos a fingir ironias e desmandos. Luz sincera e itinerante à procura de não se magoar, mesmo se rebenta no tinteiro das emoções, na mão discreta, na mais desprevenida mão que ousa tocar o sol. Se é tarde, e nada marca a sombra do alento, que torpor define os ritmos, a rara, feliz agonia das tardes libertas, nesse tempo em que as cidades cantam e se compõem para a festa? Não é gradual o desgosto: os frutos ficam podres devagar mas essa incandescência, a que uns chamam por nomes estranhos: a surpreendente paixão, amor cálido, o desejo irresistível, esse movimento incerto não cresce, não reduz o núcleo, não simplifica o absurdo, é inexacta. Que não restem surpresas. É tudo muito evidente: no que se lê.
Sinopse
Quando a tarde cai, aos tropeções,
do sol indiferente, resiste ainda
o corpo frio, a luz rebelde que vem
dos olhos a fingir ironias e desmandos.
Luz sincera e itinerante à procura
de não se magoar, mesmo se rebenta
no tinteiro das emoções, na mão
discreta, na mais desprevenida mão
que ousa tocar o sol. Se é tarde,
e nada marca a sombra do alento,
que torpor define os ritmos, a rara,
feliz agonia das tardes libertas,
nesse tempo em que as cidades cantam
e se compõem para a festa? Não é
gradual o desgosto: os frutos ficam
podres devagar mas essa incandescência,
a que uns chamam por nomes estranhos:
a surpreendente paixão, amor cálido,
o desejo irresistível, esse movimento
incerto não cresce, não reduz o núcleo,
não simplifica o absurdo, é inexacta.
Que não restem surpresas. É tudo
muito evidente: no que se lê.
Ficha Técnica
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