Este livro fornece-nos uma análise rigorosa a importantes causas,
dimensões e expressões do processo de reconfiguração da economia, da
sociedade e do Estado português, posto em execução acelerada com as
políticas de austeridade e de "ajustamento estrutural". Trata-se de um
diagnóstico possível de um período da nossa história que há de ser
estudado com grandes exigências. Na parte final, propõem-se caminhos
alternativos. Por trás de aparentes soluções técnicas e da invocação de
determinismos existem raízes ideológicas. Estamos, sem dúvida, perante
uma opção: um programa de Economia Política do Retrocesso Social e
Civilizacional, experimentado em Portugal. As opções e inflexões de
ritmo das políticas europeias pesaram no percurso trilhado, a
dependência externa foi usada para servir interesses privados em vez do
interesse nacional, contribuindo para o florescimento da atividade
financeira e o sobre-endividamento privado que, em 2011, era 3 vezes a
dimensão do endividamento público. A campanha de responsabilização do
povo português, a manipulação da dívida e a imposição de condições que a
tornam cada dia maior e insustentável, as posições de cedência e
submissão aprisionaram o país, provocaram profundas lesões económicas e
sociais, uma brutal transferência de rendimentos do trabalho para o
capital, uma degradação do Estado Social de Direito Democrático. Tudo
isso torna clara a razão por que o Tribunal Constitucional se tornou, de
forma tão emergente, um dos garantes da sua salvaguarda num quadro de
contra-reforma constitucional.
Sinopse
Ficha Técnica
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