«Há uma instituição portuguesa que é
única no mundo inteiro. É o já agora. Noutras culturas, tratar-se-ia de
um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo. O já agora, e a variante
popular "Já que estás com a mão na massa...", significam a forma
particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses não gostam de dizer
que querem as coisas. Entre nós, querer é considerado uma violência.
Por isso, quando se chega a um café, diz-se que se queria uma bica e
nunca que se quer uma bica. Se alguém oferece, também, uma aguardente,
diz-se: "Já agora...". Tudo se passa no pretérito, no condicional, na
coincidência.»
Sinopse
«Há uma instituição portuguesa que é única no mundo inteiro. É o já agora. Noutras culturas, tratar-se-ia de um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo.
O já agora, e a variante popular "Já que estás com a mão na massa...", significam a forma particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses não gostam de dizer que querem as coisas. Entre nós, querer é considerado uma violência. Por isso, quando se chega a um café, diz-se que se queria uma bica e nunca que se quer uma bica. Se alguém oferece, também, uma aguardente, diz-se: "Já agora...". Tudo se passa no pretérito, no condicional, na coincidência.»
Ficha Técnica
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